Posted by: Coelho Sinistro | 04/02/2012

O Outro Lado da Realidade – A Revelação Final

                                                        Parte Final

Eu pedi ao Sr. Antônio que fizesse uma pequena pausa, o calor era forte e eu ia buscar outro refrigerante. Perguntei se ele também queria e novamente ele agradeceu dizendo que não podia.
Quando retornei à mesa percebi que ele estava com uma expressão diferente, parecia cansado, abatido. Talvez por causa do calor excessivo mas assim mesmo perguntei:
– O Sr. Está bem? Não quer mesmo uma água?
– Não se preocupe, eu estou bem. Só preciso ir até o sanitário.
Durante toda a nossa conversa ele manteve sobre a mesa, em baixo de seus braços, um envelope grande, tipo comercial, mas em nenhum momento fez referência a ele ou qualquer menção de abri-lo.
Ao se levantar para ir ao sanitário deixou-o sobre a mesa e pediu apenas que tomasse conta dele.

Já havia se passado uns dez minutos e ele não retornara. Achei estranho mas resolvi esperar mais um pouco. Olhei as horas e aguardei por mais dez minutos. Como ele não voltou, achei por bem verificar o que estava acontecendo, afinal ele não parecia bem quando se levantou. Peguei o envelope e fui até o sanitário.
Como de praxe haviam vários boxes, alguns sendo usados e outros não.
Chamei pelo seu nome, não tive resposta. Resolvi aguardar ali mesmo.
Aos poucos, as pessoas que usavam os boxes foram saindo e no final apenas um continuava fechado. Bati na porta e chamei novamente seu nome. Ninguém respondeu. Forcei a porta, mas estava trancada. Apoiei as mãos sobre a porta, que não era muito alta, e levantei o corpo até visualizar o interior do box. Não acreditei no que via. O vaso sanitário estava com a tampa fechada e sobre ela estava toda a roupa que o Sr. Antônio vestia. Mas ele não estava lá. Fiquei perplexo. O que aconteceu com ele?

Saí do sanitário peguei outro refrigerante e voltei para a mesa. Eu estava confuso e tinha que colocar os pensamentos em ordem. Bem, ele não saiu do banheiro nu. A menos que estivesse com outra roupa por baixo. Mas e a porta trancada por dentro? E afinal, porque esse procedimento? Não tinha explicação. Peguei novamente o envelope e só então percebi que nele estava escrito: “Ao Sr. Coelho”.

Saí do Shopping peguei o carro e fui embora. Em casa, abri a única coisa que havia restado desse encontro: o envelope. Nele havia várias folhas de papel sulfite muito bem impressas e alguns recortes de jornais antigos, os quais traziam matérias sobre pessoas ligadas à mídia escrita e que tiveram a vida interrompida brutalmente.

Iniciei a leitura.
“Prezado Sr. Coelho: me perdoa por tê-lo deixado esperando, mas era a única forma de encerrar a nossa conversa. Eu não poderia continuar a narrativa pessoalmente porque não sei qual seria a sua reação. O motivo você vai saber no decorrer deste relato.
Após ter desmaiado no leito do hospital é claro que perdi a noção do tempo e quando acordei me vi flutuando bem próximo ao teto da sala. Sobre a cama meu corpo físico jazia inerte e ao redor dele médicos e enfermeiros tentavam reanimá-lo. A principio imaginei que fosse apenas  mais uma viagem extracorpórea,  uma projeção como muitas outras. Porém, percebi que, diferente de outras vezes, não havia o feixe luminoso (ou  cordão de prata como também é conhecido) conectando o meu corpo astral ao corpo físico. Ou seja, não era uma simples projeção, o meu corpo físico estava sem vida.
Nisso, ouvi uma voz:
– É isso mesmo, você está deixando o plano terreno. Venha conosco. O hospital tomará as providencias finais com relação ao corpo.
Eram os amparadores, espíritos positivos que nos recebem e nos orientam nessa passagem.
Em seguida fui conduzido à presença de uma entidade de graduação maior.

– Você cumpriu muito bem a sua missão na terra, agora ela continuará no plano espiritual.
– Com todo respeito senhor, eu tentei, mas acho que no final eu falhei.
– Se você está se referindo ao seu amigo, está enganado. Ele está conosco, você  o resgatou das garras do mal. Satã já tinha o espírito do seu amigo sob seus domínios e você o trouxe de volta. Essa era a sua missão e você a concluiu com sucesso.
Após essa conversa fui apresentado ao grupo de trabalho do qual iria fazer parte.  Era o início da minha fase de adaptação no mundo espiritual.
Esse período foi longo e, apesar de aqui não existir a relação tempo/espaço, eu imagino que na contagem terrena tenha durado  aproximadamente oito anos.

Concluído esse período, o grupo, denominado ”Os Guardiões do Universo”, estava preparado para combater o crescimento do exército do Mal. Sabíamos que  as pessoas cuja vida no plano físico é regida pelo estigma 666 (o símbolo da Besta) são as mais vulneráveis e por isso são os alvos preferidos do Mal, e a nossa missão é alertar e conscientizar essas pessoas do perigo a que estão expostas.

A minha missão no caso Daniel se reiniciou quando fiz o primeiro contato com você e prosseguiu com o nosso encontro pessoal.
Quanto às pessoas que aparecem nos recortes de jornais que deixei com você, elas foram “escolhidas” para publicarem o Diário porque faziam parte do  “grupo de risco”, assim como o Daniel também fazia, e VOCÊ Senhor Coelho, também faz.
Veja porque: O seu nome possui 6 letras e o sobrenome também. Somando-se os números da data do seu nascimento até que se resuma em um único algarismo,  este algarismo é o 6.  Você tem três filhos, todos tem nomes compostos e cada nome possui 6 letras. Juntando-se ao sobrenome que também tem 6  está fechado o tríplice 6, ou seja: todos, sem exceção, são regidos pelo 666.
Sempre é bom lembrar que, da mesma forma que você não escolheu o seu nome e nem a data do seu nascimento, eles também não escolheram os deles.

Quanto ao restante de “O Outro Lado da Realidade”, você não irá receber somente a quarta parte, como está esperando. Daqui a exatos 6 dias você receberá a quarta e a quinta parte juntas e, assim como aconteceu com as pessoas que aparecem nos recortes de  jornais, e que vinham publicando o Diário do Daniel, você também jamais receberá a sexta e última parte. E por quê? Simplesmente porque ela não existe. E mesmo que existisse você, a exemplo daquelas pessoas, não  estaria vivo para publicá-la.

Portanto Senhor Coelho, você tem 2 opções. A primeira é continuar publicando o Diário do Daniel e ter o mesmo fim das pessoas que tentaram torná-lo público.
A segunda é interromper a publicação.
E lembre-se, na sua decisão final nós não interferimos. A livre escolha é um direito seu.

Porém, caso você decida não continuar a publicação do Diário, leia as partes logo após recebê-las,  mas não as guarde e nem repasse para ninguém. Leve-as para um local distante e queime-as. Só assim o ciclo do mal, que teve início com o Daniel, será interrompido definitivamente.

Isso é tudo. Este é o nosso último contato, existem muitos outros ciclos em andamento e a nossa missão é interrompê-los. Espero que tome a decisão acertada. Boa sorte Senhor Coelho.”

Eu não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. Eu sempre questionei muitas citações Bíblicas e doutrinas religiosas por várias razões: fogem à lógica; são contraditórias; foram manipuladas ao longo do tempo e muitos outros motivos.
Mas nessa história, duas questões me impressionaram profundamente.
Primeira: Eu nunca havia visto esse homem antes, então como ele sabia tanto a respeito da minha vida?  E segunda: O relato fantástico que ele deixou sobre como é a vida que nos aguarda no plano Espiritual;  qual a origem do bem e do mal; porque existem pessoas boas e más; de onde vem a energia que dá vida aos seres; qual a razão de nossa existência e até onde o Criador interfere em nossas vidas.
Enfim, esse relato impressiona porque é feito por “alguém” que está do “outro lado” e porque mostra também como são totalmente equivocados muitos dos ensinamentos religiosos que conhecemos. É como se fosse uma série de respostas a perguntas que sempre fizemos e nunca obtivemos esclarecimentos   satisfatórios.
Como esse relato é um pouco extenso, optei por talvez publicá-lo em outra ocasião.

Naquela noite foi difícil dormir. Li e reli várias vezes o conteúdo daquelas páginas, mas nada levava a lugar algum.
No dia seguinte fui até a casa dos pais do Daniel, era o único lugar onde talvez poderia encontrar algumas respostas.
A casa estava fechada e pelo aspecto estava também vazia. Chamei na casa ao lado e uma atenciosa senhorinha me atendeu. Perguntei pelo Sr. Aroldo e a Dona Ângela.

– Olha moço, eu sei bem pouco sobre eles. O Sr. Aroldo era muito doente e a uns 15 dias atrás ele faleceu. A dona Ângela voltou aqui alguns dias depois com uma mulher que sempre vinha visitá-los ou levar o Aroldo ao médico. Retiraram a mudança e se foram.
– E a senhora sabe onde mora essa mulher?
– Não sei. Como eu disse era raro conversarmos. Era até difícil vê-los.

Agradeci e me retirei. Lá se foi a minha última esperança. Eu sabia quem era a mulher que acompanhava a dona Ângela. Era a Adélia, irmã do Aroldo. Mas e daí? Como encontrá-la?

Por alguns dias ainda tentei buscar respostas. Juntei os recortes de jornais e fui até suas redações. Mas como eram semanários regionais, alguns já não existiam mais e os que existiam confirmaram a morte dos colaboradores.

Mas, mal sabia eu que surpresas piores ainda estavam por virem. Alguns dias depois, quando chegava em casa, o carteiro se aproximou com uma correspondência e disse meu nome. Eu confirmei e ele me entregou um gordo envelope e se foi. Entrei e, como de costume fui ver quem era o remetente. Não havia. Abri, era a quarta e a quinta parte do Diário do Daniel. Procurei no envelope onde tinha sido postado e só então notei que não havia carimbo ou selo dos Correios. Apenas uma etiqueta com meu nome e endereço. Logo deduzi: O entregador, apesar do uniforme, não era funcionário dos Correios.
Olhei o calendário. Era o sexto dia após aquele encontro que tive com o Sr. Antônio e faltava a última parte. Exatamente como ele havia dito.

Li as duas partes do Diário e, sinceramente, não encontrei palavras suficientes para descrever o impacto que elas causam. O Daniel viveu experiências aterrorizantes, de pavor e maldades explícitos. Crueldades que superam tudo que eu já havia visto em filmes e livros do gênero. A brutalidade do Mal é tamanha que vai muito além da capacidade da imaginação de qualquer ser humano.

Eu notei que algumas citações feitas pelo Daniel, no Diário, como nomes datas e lugares, coincidiam com trechos do relato do Sr. Antônio. Pensei: Quem sabe não descubro aí alguma pista que leve à solução do enigma?. Resolvi compará-las. Mas quando retirei as folhas do envelope deixado pelo Sr. Antônio, tive a última e maior de todas as surpresas: As folhas, que dias antes eu havia lido e relido, estavam todas em branco. Era como se nelas nunca tivesse sido escrito nada. Com o choque a temperatura baixou, e apesar do intenso calor que fazia, por alguns segundos senti frio.

Eu confesso que não me sinto nem um pouco constrangido em admitir que não tive a audácia, ou coragem, suficiente para continuar a publicação do Dário do Daniel. Eu estava apenas a um passo de cruzar a tênue linha que separa a realidade do desconhecido, mas cujo preço a ser pago poderia ser a própria vida. Então o bom senso prevaleceu e optei por seguir as recomendações do falecido.

Assim, infelizmente para vocês que acompanharam a saga “O Outro Lado da Realidade”, a pavorosa narrativa contida no ameaçador Diário continuará sendo um MISTÉRIO.

                                                                       F I M

Relembre os primeiros capítulos da história:

O Outro Lado da Realidade parte 123

A Revelação parte 123


Responses

  1. Mas….e aí…fiquei na dúvida qual parte do além da realidade foi realidade e qual parte foi além dela….

  2. Preciso falar com vc! Se tudo que foi relatado acima for verdade, entao eu preciso saber.

  3. Mesmo sendo um mistério a parte 4 e 5 do diário, ficou muito boa a história. Parabéns.


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