Posted by: Coelho Sinistro | 07/11/2011

O Outro Lado da Realidade – A Revelação 2

O Outro Lado da Realidade – A Revelação

Parte 2

Preparei-me para ouvir uma longa história, só não conseguia entender porque eu teria que ouvi-la. O dia estava quente, levantei-me para buscar um refrigerante, perguntei se ele queria tomar algo. Ele respondeu que não podia. Também não perguntei porque. Quando retornei, ele continuou:

– Quando eu tinha mais ou menos 15 anos passei a ter sonhos estranhos. Não eram como os do Daniel. Eu sonhava semi adormecido, com a nítida impressão de que estava acordado. Eu me via flutuando no ar e avistava meu corpo adormecido sobre a cama. Esses sonhos eram freqüentes, mas eu não comentava com ninguém.

Quando o Daniel começou a ter sonhos estranhos e comentou com a gente, todos zombavam dele, menos eu. Um dia, numa conversa a sós, disse a ele que acreditava nos seus sonhos e pedi que me contasse com mais detalhes.

As experiências que ele me contou eram impressionantes, uma boa parte ele ainda não entendia muito bem, mas estava seguindo à risca as orientações do seu “mestre”. Disse também que tudo estava sendo anotado numa espécie de diário e que qualquer hora ele me mostraria.

Depois daquela conversa passamos a ter um relacionamento mais próximo. Eu era a única pessoa com quem ele podia conversar sobre esse assunto e ele era o único que sabia sobre os meus sonhos.

Quanto aos meus sonhos, busquei conhecimentos e desenvolvi técnicas de autoprojeção. Aprendi que sair do corpo é uma capacidade normal de todo ser humano. É preciso apenas aprimorar essa técnica para que a projeção seja feita de forma consciente. A projeção é o espírito se desprendendo do corpo devido ao seu estado de relaxamento e apesar do sonho não ser necessariamente uma projeção, em alguns casos ela pode acontecer, só que ocorre de forma desordenada e sem o domínio consciente do projetor.

Essas viagens extracorpóreas me renderam conhecimentos inestimáveis. Mas os relatos dos sonhos do Daniel me surpreendiam e me impressionavam cada vez mais.

No entanto, a surpresa maior foi num dia em que passávamos por uma rua do bairro onde morávamos, quando de repente ele parou e disse: “alguém está pedindo socorro, correndo risco de morte, vamos, rápido”. Dito isto saiu em desabalada carreira. Eu o segui. A uns 100 metros adiante havia uma viela, entramos por ela e no final topamos com uma espécie de barracão, abandonado. Adentramos o barracão e deparamos com uma tragédia em andamento.

Uma jovem mulher estava amordaçada e amarrada em uma das pilastras e em frente a ela um homem, também jovem, apontava-lhe um revólver. Com a nossa chegada ele se assustou e, apontando a arma em nossa direção, disse com voz rouca: “Não se aproximem, eu vou matá-la e em seguida me suicidar. Mais um passo e vocês vão primeiro”.

Foi então que vi pela primeira vez o Daniel atuando. Calmamente ele começou a dialogar com o homem. Ele sabia porque tudo aquilo estava acontecendo. Sabia o que o homem estava pensando e aos poucos foi convencendo-o a desistir daquele tresloucado gesto. No final, o homem, de volta à realidade, entregou-lhe a arma, chorou muito e se retirou. Eu desamarrei a mulher, que ainda chorava bastante, apavorada, mas depois de ouvir um belo sermão do Daniel, também se foi.

Eu tinha acabado de presenciar uma cena chocante com um final, senão feliz, mas gratificante. Afinal de contas duas vidas haviam sido poupadas.

Porém, algo intrigante havia acontecido: Quem conversou durante todo o tempo com o homem e depois com a mulher, não foi o Daniel. O corpo físico, a matéria, era dele, mas a fisionomia, a voz e a personalidade, não eram.

O fato de o Daniel ter tido a percepção do risco de morte dos jovens; ouvido o pedido de socorro da mulher; feito a leitura do pensamento de ambos, não me surpreenderam porque ele já havia me falado sobre isso, mas a transformação ocorrida com ele foi algo sobrenatural. O que isso significava? Será que ele tinha conhecimento que isso ocorria?.

Eu tinha que falar com ele sobre isso. Mas antes precisaria de respostas.

Depois de pesquisar e ouvir pessoas ligadas às mais diferentes denominações religiosas e científicas, a  explicação mais viável foi: Possessão. Nesses momentos uma entidade extrafísica atuava utilizando-se do corpo do Daniel.

Agora, a questão era: Ele dizia que estava sendo orientado, ensinado e tinha essa entidade como seu “mestre”. Mas então porque ela se apossava de seu corpo?

A entidade extrafísica, (que também é chamada de amparador; guia espiritual; mentor extrafísico e etc.) que auxilia o projetor não só no plano espiritual, mas também no plano material, não procede dessa forma.

Alguma coisa estava errada. E eu estava disposto a descobrir o que era.

Numa sexta-feira à noite, após chegar do trabalho tomar um banho e jantar, resolvi ir até a casa do Daniel. Era meio tarde, já beirando 23hs:, mas eu sabia que ele não se deitava cedo. O tio Aroldo me atendeu e pediu que entrasse. Disse que o Daniel havia ido para o quarto a uns dez minutos, mas não deveria estar dormindo, pois falou que ia ler. Pediu-me que o acompanhasse até lá. A porta estava fechada mas pela soleira via-se a claridade da luz o que indicava que ele não estava dormindo. Seu pai bateu na porta e em seguida abriu-a. A cena que presenciamos foi forte. Estarrecedora. O corpo do Daniel flutuava a mais ou menos 1 metro acima da cama, em posição horizontal.

Com a nossa presença o corpo foi-se dobrando e ficou na posição como se estivesse sentado. Fixou seu olhar em nossa direção de forma profunda e feroz e em seguida perdeu a rigidez e despencou sobre a cama.

A cena foi muito forte, o meu tio não suportou e caiu com a mão sobre o peito. Acabava de sofrer uma parada cardíaca que lhe deixaria seqüelas para o resto da vida.

Naquela noite ninguém dormiu. Somente eu e o seu Aroldo tínhamos presenciado aquela cena. Mas ele estava internado e sem previsão de alta e pra dona Ângela eu não contei nada a respeito.

Três dias após o fato liguei para o Daniel e disse que precisava falar com ele longe de nossas famílias. Marcamos em uma lanchonete próxima ao seu trabalho.

O assunto era delicado, mas tinha que ser encarado.

– Daniel, naquele dia que você conversou com aquele casal lá no barracão e evitou uma tragédia, você se lembra do que disse a eles?

– Eu me lembro, mas quem falou com eles foi o meu mestre. Eu apenas assisti.

– Você sabe o que provocou a parada cardíaca do seu pai?

– Não. Ele nunca reclamou de sintomas. Mas pode acontecer a qualquer um.

– Naquela noite você foi para o quarto e fez o quê?

– Deitei-me, comecei a ler e adormeci. Quando acordei vocês estavam no quarto e o meu pai passando mal.

– Você se lembra se sonhou?

– Ah sim. Eu estava tendo um “daqueles” sonhos e nele o meu mestre me ensinava como levitar.

– E quem estava levitando, ele ou você?

– Era ele. Mas afinal, o que é que está havendo? Porque você está me fazendo todas essas perguntas?

– Calma. É o que você vai saber agora.

Em seguida contei o que aconteceu com ele no barracão e naquela noite em seu quarto, sendo este último fato a causa do infarto do seu pai.

Depois de ficar pensativo por longos minutos, olhou-me com expressão interrogativa e indagou:

– E então, o que você acha? O que devo fazer?

– Eu ainda não estou certo. Mas essa entidade vem praticando todas essas ações e induzindo você a pensar que é você que está praticando, e para isso tem se apossado do seu corpo. Precisamos achar um jeito de interromper esse contato antes que tragédias comecem a acontecer e a culpa recaia sobre você.

Você está sendo enganado, usado, manipulado, para alguma finalidade que ainda não sei qual, mas com certeza não é coisa do bem.

Daniel, além de primos nós somos também amigos. Se você me prometer que vai encarar essa parada, eu farei o possível para ajudá-lo.

Ele ficou novamente pensativo e depois de alguns instantes encerrou a nossa conversa dizendo:

-Ta bom, me dê uns dias para pensar. Eu volto a falar com você.

Dez dias se passaram. O seu Aroldo teve alta hospitalar e voltou para casa. A sua recuperação seria lenta e as seqüelas inevitáveis. O Daniel me ligou, marcamos no mesmo lugar e retomamos o assunto:

– Olha Toninho (era assim que ele me chamava) eu decidi que vou continuar seguindo o meu mestre, acho que ele foi mais convincente do que você.

– Não me diga que comentou com ele sobre a nossa conversa.

– Não. Eu não precisei comentar, ele já sabia de tudo. Ou você esqueceu que ele “lê” pensamentos?  Agora me responda você: o que é que eu pratiquei de ruim até agora?

– Você não praticou nada de ruim e nem de bom. Quem praticou foi ele. Só que para quem presenciou os fatos, foi você. Ouça, eu sei que é difícil, mas procure entender o seguinte: Nem sempre o mal se apresenta como sendo do mal. Às vezes ele se apresenta disfarçado de agente do bem e através de você ele pratica boas ações, porque diretamente ele não poderia fazê-lo, já que ele é do mal. Ele age dessa forma para ganhar a sua confiança. Depois ele assume o controle e o mal começa a aparecer. Assim como as pessoas vêem você praticando o bem hoje, verão você praticando o mal amanhã. Só então você entenderá que foi enganado, usado, traído, mas será tarde. Não haverá mais retorno.

Daniel, você sabe qual é o nosso pior inimigo? Não é aquele declarado, mas sim aquele disfarçado de amigo.

– Toninho, eu lamento, a minha decisão está tomada. E tem mais, sabe o que ele disse quando eu falei que você era o meu melhor amigo?  “Cuidado; são dos melhores amigos que vem as maiores decepções”. Uma frase bem parecida com essa sua não acha…?

Ele não fez a mínima questão de disfarçar o sarcasmo ao pronunciar essas últimas palavras.

Em seguida levantou-se e se foi.

Naquele instante senti que estava perdendo o meu melhor amigo para uma força maligna.

Leia como tudo começou

(Continua…)


Responses

  1. Eu to falando… LOST é fichinha perto dessa história… Daqui a pouco aparece a fumaça.


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