Posted by: Coelho Sinistro | 15/06/2011

Justiça Com a Própria Mão

JUSTIÇA COM A PRÓPRIA MÃO

Enviado por: Arquimedes de Araújo – Paraná (PR)

A cidade onde nasci, fui criado e moro até hoje, ainda é considerada como pequena, por isso a maioria dos moradores trabalha na lavoura. Até  tempos atrás meus pais tinham um sítio de grande porte, com lavoura de café e,  assim como outros da região, tinham alguns empregados fixos. Somente em época de colheita, e para que esta fosse feita com rapidez, peões – conhecidos também como “bóias frias” – eram contratados para esse fim. Alguns sítios possuíam um casarão com pequenos quartos o qual servia de alojamento para esses empregados provisórios. Um dos cômodos do casarão era grande e possuía um fogão a lenha, onde eles preparavam suas refeições.

Esses peões trabalhavam pesado pois quanto mais colhessem mais recebiam, já que a remuneração era sobre a quantidade de sacas colhida. Mesmo assim, toda sexta-feira o sitiante pagava o valor correspondente da semana.

Alguns desses peões já eram conhecidos do sitiante por terem trabalhado em anos anteriores, outros eram desconhecidos e não era hábito procurar saber suas origens, o que, por vezes propiciava a contratação de pessoas de má índole.

Era comum aos sábados, ao final do dia, os empregados antigos, alguns sitiantes e peões contratados se reunirem em um dos sítios, previamente combinado, e promoverem um churrasco, regado a cerveja e muita cachaça.

Essas festinhas aconteciam ao ar livre, à sombra das árvores, em frente ao alojamento dos peões. Quando a noite chegava, eles passavam para a cozinha do casarão, onde havia várias mesas toscas e bancos de madeira. Começava então o carteado. Divididos em grupos, alguns jogavam truco e outros pif-paf, e assim varavam a noite.

Nas partidas de truco as pessoas não jogavam a dinheiro, mas no pif as apostas corriam soltas e não foram poucas as vezes que peões ou empregados perderam o pagamento da semana numa mesa de jogo.
Certa noite um dos sitiantes, agraciado pela sorte, ganhou muito dinheiro, e lá pelas 2:00 da manhã resolveu ir embora. Um dos peões, que estava alojado em seu sítio e também havia perdido todo o seu pagamento para o patrão, também se levantou, dizendo:

– Vou aproveitar e vou indo também, assim faço companhia pro patrão.

Despediram-se do pessoal e saíram.

Apesar dos sítios serem vizinhos, as casas sedes ficavam distantes uma da outra e a caminhada era feita por estreitos caminhos de terra, ladeados por árvores e vegetação rasteira.  A lua clareava o caminho e os dois caminhavam quase em silêncio, o patrão com os bolsos cheio de dinheiro e a cabeça cheia de cachaça. Em dado momento o peão colocou em prática o seu plano sinistro. Sacou de uma faca e começou a desferir vários golpes contra o patrão. Ferida, banhada em sangue e quase desfalecida, a vítima caiu e o agressor passou a recolher o dinheiro de seus bolsos. De repente, num movimento instintivo de defesa, o patrão segurou com a mão direita o pulso esquerdo do assassino. Novos golpes de faca foram desferidos, desta vez até que o corpo ficasse totalmente imóvel, e só então o peão terminou de revirar seus bolsos, apossando-se de todo o seu dinheiro.

Era hora de fugir dali o mais rápido possível. Porém havia um sério problema: A mão da vítima continuava segurando firme o seu pulso esquerdo.

O peão tentou de todas as formas abrir os dedos da mão daquele corpo inerte, já quase morto. Mas foi em vão.

Desesperado, ele pegou novamente a faca e decepou a mão que o segurava, em seguida arrancou o casaco do defunto, envolveu o seu braço e a mão presa a ele, e saiu em desabalada carreira rumo ao seu alojamento.

Ao chegar, entrou em absoluto silêncio para não acordar outros peões, e foi para o seu quarto. Fez mais algumas tentativas para soltar a mão que o prendia, mas sem sucesso.

O peão já estava à beira do desespero quando falou para si mesmo: “calma, vamos pensar com calma, ainda tenho algumas horas até o dia clarear. Não posso fugir com essa mão agarrada em mim, tenho que me livrar dela”.  Em seguida se deitou com o braço esquerdo para fora da cama e pôs-se a matutar em busca de uma solução. Porém, após um dia de trabalho duro; a noite passada em claro; a adrenalina nas alturas e a mão de um cadáver presa ao seu pulso, ele foi vencido pelo cansaço e, ainda mergulhado em seus pensamentos, cochilou por alguns instantes.

Enquanto isso, os familiares do sitiante estranharam a sua ausência, pois ele sempre chegou bem antes do amanhecer. Os primeiros raios de sol começavam a despontar, preocupada sua esposa chamou um dos filhos e mandou que ele fosse ao sítio vizinho saber o que havia acontecido. O rapaz arreou o cavalo e saiu.  No caminho, encontrou o corpo do pai com uma das mãos decepada. Imediatamente dirigiu-se até a cidade, que não era tão distante, e voltou com a polícia.

No sítio onde houve a festa a polícia foi informada da saída do sitiante e do peão por volta das 2:00 da manhã. Diante dessa informação partiram para o sítio da vítima e se dirigiram para o alojamento. Quando adentraram o quarto do peão depararam como uma cena macabra.

O corpo do peão estava estendido sobre a cama, de barriga para cima, os olhos esbugalhados e o sangue, que banhava sua camisa,  ainda escorria pelos ouvidos, boca e nariz. Presa firmemente em volta do seu pescoço estava a mão do sitiante, e agarrada a ela estavam as duas mãos do assassino, evidenciando um esforço desesperado para se livrar do estrangulamento.

A cena hedionda foi presenciada pelos policiais e o filho da vítima, que mais estarrecidos ficaram quando, passados alguns segundos, viram os dedos da mão se soltarem suavemente do entorno do pescoço do assassino e em seguida repousar espalmada sobre o seu tórax, como se estivesse querendo dizer: A JUSTIÇA FOI FEITA!!!.

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Se vc gostou dessa história, deixe o seu comentário.
Se vc não gostou e tem uma melhor pra contar, mande pra nós, contato@srcoelho.com.br e ela será publicada aqui.


Responses

  1. o.0
    Medo!

  2. Justiça só será feita quando os prolietários do país se unir contra seus exploradores


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