Posted by: Coelho Sinistro | 04/05/2011

O OUTRO LADO DA REALIDADE – PARTE 1

Nota do Editor:

A leitura deste artigo não é recomendada para pessoas suscetíveis a emoções fortes, quando diante do desconhecido. As  experiências descritas são reais, intrigantes e as vezes assustadoras. Muitas delas se passam em ambientes e com a presença de pessoas que, embora nunca em outro mundo ou outra dimensão, se apresentam de uma forma que vai muito além do nosso conhecimento.     Mas só assim foi possível ao narrador conhecer O OUTRO LADO DA REALIDADE.   E é o que vc também vai conhecer agora.

O  consentimento do narrador para que esta matéria viesse à  público só foi possível após muita insistência nossa e o que mais influenciou na sua decisão final, foi quando argumentamos sobre a sua idade e a sua saúde  e, portanto, o risco de vir a deixar este mundo e levar para o túmulo revelações inéditas e tão úteis à humanidade.

Assim mesmo, tivemos que concordar com uma restrição: manter sua identidade ou qualquer possibilidade de contato em absoluto sigilo, pois ele teme repressão por parte de fanáticos que possam discordar das revelações contidas na matéria.  Portanto, durante a narrativa o seu nome (fictício) será  Daniel.
Boa leitura.

O Editor.

O Outro Lado da Realidade – Parte 1

Olá caro leitor,

Antes de tudo, é  importante deixar claro que, apesar de  real, o objetivo desta matéria não é comparar ou questionar qual regime político ou qual doutrina religiosa é melhor para cada um, se “A”, “B” ou “C” .

Meu nome é Daniel, nasci numa pequena cidade do interior de São Paulo e como milhões de brasileiros, sou de origem humilde. Meus pais eram lavradores, trabalhavam como colonos e moravam numa fazenda afastada da cidade. A vida na roça era difícil, o trabalho era duro, o salário era baixíssimo e conforto praticamente não existia. Foi ali que passei mais da metade da minha infância e foi ali também que conclui o curso primário (como era chamado na época) caminhando 8km por dia para ir e voltar da escola da cidade.

Eu tenho um tio que morava, há alguns anos, na capital de São Paulo. Ele sempre escrevia para meus pais contando as novidades e convidando-os para irem em definitivo para SP. Insistia para que eles deixassem aquela vida dura e sem futuro da roça. Ele dizia que a vida na capital também não era fácil, mas o trabalho não era tão duro quanto na roça e haviam mais oportunidades.

O receio de meu pai era ir para São Paulo e não conseguir trabalho, pois ele não tinha estudo e nem uma reserva financeira. Um dia, numa dessas cartas, meu tio disse: “A fábrica onde trabalho está admitindo operários. Já passei seus dados pessoais. Venha logo. Fique na minha casa por enquanto e depois alugamos uma para vocês”. Meu pai não pensou duas vezes, foi sozinho e ficou na casa do meu tio.

Um mês após sua partida, quando recebeu o primeiro pagamento, minha mãe e eu embarcamos de mudança. Eu tinha então 11 anos. A vida na cidade grande continuou difícil, meu pai ganhava melhor que na roça, mas como nada se plantava, nada se colhia e tudo se comprava, a despesa da família era maior. Além disso, ainda tinha o aluguel.

Para mim foi maravilhoso, a grande metrópole de hoje não se compara com aquela que vi quando cheguei, mas comparada à minha cidadezinha, o que vi era fascinante e indescritível, era o paraíso. Eu vi coisas que nunca havia visto antes e coisas que nunca imaginei que existissem.

A casa que meu pai alugou ficava próxima à casa do meu tio, como ele tinha dois filhos com idades entre 9 e 12 anos, estes logo me apresentaram seus colegas e assim foi fácil fazer novas amizades.

Eram tempos diferentes, não se ouvia falar em violência, drogas e outras tantas barbaridades como nos dias atuais. A legislação trabalhista também era diferente de hoje, somente a partir dos 14 anos é que era permitido o trabalho para menor, então até lá seria só alegria.

Seis meses se passaram e foi então que algo estranho começou a acontecer, algo que mudaria a minha vida para sempre, mas que na minha idade eu não tinha a mínima noção do seu significado. Entre os meus coleguinhas havia um menino que era meio arredio, quieto e de poucas palavras, ele  participava de todas as nossas brincadeiras, porém ele nunca aceitava entrar na minha casa. Um dia, perguntei ao meu primo:
– Vc sabe por que o Tico (era o apelido dele) não entra na minha casa?
– Sei sim, o Tico tem medo de entrar lá porque a casa onde vc  mora  era um centro espírita e desde que o centro se mudou, ela nunca mais foi habitada.

Eu não sabia o que era um centro espírita, então perguntei:
– E por que a gente deve ter medo de um centro espírita?
– Quem tem medo é só o Tico, ele diz que as pessoas que iam lá chamavam os mortos, conversavam com eles e ele tem medo de gente morta.

A minha mãe era católica, não fervorosa. Quando morávamos na fazenda ela ia à missa todos os domingos, na igrejinha da cidade. Raras vezes me levava, porque devido à longa e cansativa caminhada, eu dormia durante a missa, mesmo assim ela sempre me ensinou os princípios religiosos como: por que ser bom; sempre praticar o bem, nunca o mal; amar ao próximo e sempre ter fé em Deus.

Naquele dia quando cheguei em casa, perguntei à minha mãe se era possível conversar com pessoas mortas. Ela disse que não e quis saber o motivo da pergunta, então contei o que havia ocorrido. Ela ficou algum tempo pensativa e depois me disse:
– Filho, as pessoas que se reúnem num centro espírita, o fazem para rezar e orar. O mesmo que nós, católicos, fazemos na igreja. As orações podem ser feitas para pessoas vivas ou que já morreram e cujas almas precisam de luz. A casa é como a igreja e as pessoas são os fiéis. Não há porque ter medo.

Muitos anos depois compreendi como foi difícil para a minha mãe me dar aquela explicação, falar sobre um assunto que ela não entendia e de uma forma que uma criança pudesse entender… Até que ela se saiu bem.

Passados uns vinte dias daquela conversa com meu primo e das explicações de minha mãe, para mim aquele assunto já havia caído no esquecimento. Mas foi então que comecei a ter sonhos estranhos. Até aquele dia os sonhos que eu havia tido eram normais, como os de qualquer outra criança, brincadeiras do dia a dia, jogos de futebol e etc.

Mas agora eles  eram diferentes. Neles eu era adulto e me via, as vezes em uma sala moderna, outras vezes em um amplo salão ou então em um casarão antigo. Mas sempre haviam pessoas reunidas e discutindo sobre assuntos que eu desconhecia completamente. As pessoas também mudavam, as vezes eram  diferentes e usavam roupas estranhas, as vezes eram modernas e bem vestidas ou até fardadas, mas sempre discutiam acaloradamente e em algumas ocasiões, terminavam rindo e fazendo chacotas.

No começo eu acordava muito assustado mas depois fui me acostumando. Certa vez, durante um desses sonhos, fiz uma descoberta assombrosa. Percebi que apesar de estar presente nessas reuniões, mesmo como um mero observador que via e ouvia tudo, as pessoas não me viam e nem me ouviam, era como se eu fosse um  fantasma.

Esses sonhos continuaram acontecendo, mudavam  os locais, as pessoas e as épocas. O mais interessante é que ao final de cada noite, quando despertava, eu me lembrava perfeitamente de tudo que havia visto e ouvido no sonho, mas na minha mente, não encontrava nenhuma explicação para aquilo tudo.  Um dia resolvi falar com meu pai sobre isso, contei sobre alguns sonhos e perguntei por que isso estava acontecendo. Ele, com toda aquela simplicidade interiorana,  apenas me respondeu:

– Isso não quer dizer nada filho, são apenas sonhos de criança, “Quando você se casar sara”.

E assim três anos se passaram. Os sonhos se sucediam, foram muitas as noites que eu acordava com bastante medo, afinal eu era apenas uma criança.

Quando completei 14 anos arrumei meu primeiro emprego, no trabalho fiz novas amizades. Enquanto isso os sonhos não pararam de me atormentar e as poucas vezes que arrisquei comentar alguma coisa com algum colega acabei ouvindo respostas do tipo:  “vai se tratar cara,  senão você vai ficar louco”, “Isso é coisa de gente maluca”. Eu acabava ficando ainda mais preocupado, até que decidi não tocar mais no assunto com ninguém.

Naquela época o acesso às informações não era tão fácil como nos dias atuais. A televisão, até hoje um dos maiores veículos de comunicação,  chegou ao Brasil por volta de 1948, mas só viria a se popularizar no final da década de 50. Na fazenda onde morávamos não havia sequer energia elétrica. Meu pai tinha um rádio que ficava  ligado por pouco tempo para não gastar muito a bateria. A bateria (que ele chamava de pilha) era maior do que o rádio e quando descarregava tinha que ser levada até a cidade para recarga. Além da recarga  ser cara, a pilha era muito pesada e precisava de um meio de transporte (pelo menos um cavalo) para ser transportada para a cidade. Mesmo depois que mudamos para São Paulo ainda ficamos muitos anos sem possuir uma televisão, pois era artigo de luxo. Informação só através de rádio e jornais. Para pesquisas haviam bibliotecas públicas, mas eram poucas e de acesso bastante restrito.

Certo dia tive uma idéia, resolvi pesquisar e comprar alguns livros que tratavam sobre os significados dos sonhos, mesmo sabendo que qualquer quantia, por menor que fosse, que eu retirasse do meu salário, poderia fazer falta na ajuda doméstica. Consultei os preços de alguns livros e ao final de cada mês comprava um e mergulhava em sua leitura, mas logo descobri que pouco estava adiantando. Não encontrava nada relacionado aos meus sonhos, os livros eram baratos e de pouco conteúdo, mas num ponto foi bom: me apaixonei pela leitura.

Era uma tarde de domingo, eu e alguns colegas estávamos voltando do cinema. Não era muito distante do bairro onde morávamos e por isso resolvemos voltar a pé. Ao passar por uma certa rua no bairro do Braz, me chamou a atenção um cartaz na fachada de uma casa simples, antiga, com aspecto de certo abandono, que dizia; “Conheça aqui o significado de seus sonhos”. Anotei o endereço e no dia seguinte, após deixar o trabalho, passei lá.

Bati palmas, um homem aparentando aproximadamente uns 70 anos de idade, com a barba por fazer, me atendeu. Era um homem alto, de porte físico avantajado, vasta cabeleira grisalha e apesar da aparente idade, movia-se com certa agilidade.  Mostrou-se  bastante simpático e pediu-me que entrasse. A casa era simples e aparentava um certo desleixo, a mobília antiga e empoeirada tornava o ambiente estranho e sombrio. No centro da sala havia uma mesa grande, feita em madeira grossa, entalhada e a sua volta cadeiras altas e pesadas. Puxando uma dessas cadeiras,  pediu-me que sentasse e ele sentou-se do outro lado da mesa. Por alguns instantes, observou-me com seus olhos claros e penetrantes, em seguida se apresentou:

– É um prazer recebê-lo em minha casa, meu nome é Jonathan e o seu?
– Daniel.
– Pois bem Daniel, viestes aqui por causa de teus sonhos não é?

Respondi que sim e ele completou.

– Então conte-me sobre eles.

Depois de ouvir atentamente meu relato, ele pegou lápis e papel, anotou  alguma coisa e após dobrá-lo me entregou, finalizando:

– Meu jovem, você é um predestinado, ouça com toda atenção o que vou lhe dizer. Amanhã bem cedo vc vai ao endereço que está anotado aí, é uma livraria no centro da cidade, eles estão precisando de  um atendente, lá vc vai ter um salário melhor e vai ter também acesso a todo tipo de informação que necessitas. Jornais, revistas e livros, você  saberá quais serão mais interessantes, reunirás conhecimento suficiente e encontrarás todas as respostas para teus sonhos, agora podes ir.

No dia seguinte faltei no trabalho e fui ao endereço indicado. A livraria era relativamente grande, a rua era movimentada. Muitos livros ficavam expostos, outros em prateleiras, percebi que haviam livros novos e usados, em outro setor menor ficavam jornais e revistas. Entrei e fui atendido por um casal idoso e simpático. Falei o motivo da minha visita e depois de tudo acertado, ficou combinado que eu começaria a trabalhar na quarta feira. Notei que eles gostaram de mim e  o  salário era realmente melhor que o do meu atual emprego.

Depois que deixei a livraria passei no escritório onde trabalhava e comuniquei minha demissão. Na volta para casa, resolvi passar na casa do simpático senhor que havia me indicado o novo emprego, queria agradecê-lo. Quando cheguei, notei que a casa estava fechada, mas assim mesmo bati palmas, insisti várias vezes e finalmente, convencido de que ele não  estava, resolvi ir embora. Voltaria outro dia. Foi então que ouvi uma voz feminina me chamar. Era a moradora da casa vizinha que, vindo até o portão, me perguntou:

–  Olá… Está  procurando por alguém?
– Ah sim, eu estive aqui ontem, falei com o sr. Jonathan, mas parece que ele não está, eu volto outro dia.

Enquanto falava, aproximei-me do portão onde a mulher estava, agradeci a sua gentileza e já ia me retirando, quando ela indagou:

– Espere, como era essa pessoa que o recebeu ontem?

Dei uma descrição do homem e quando terminei, a mulher ficou me olhando atentamente por alguns segundos. Sua expressão era de espanto e desconfiança, parecia que ela queria ler meus pensamentos. Em seguida assumiu um ar de seriedade, franziu o rosto e disse em tom incisivo:

– Escuta aqui rapazinho, eu não sei se você está querendo brincar comigo, ou coisa parecida, mas tomara que não esteja. A pessoa que você acabou de descrever morreu há cinco anos, desde então essa casa está fechada e abandonada. Agora se você não tem mais o que fazer, eu tenho, até logo e passe bem.

Em seguida entrou e bateu a porta com força, visivelmente contrariada. Eu continuei ali em pé, não sei por quanto tempo. Não que eu quisesse ficar ali, mas  eu estava estático, gelado, petrificado. Sob meus pés parecia não haver chão.

Continua… (clique aqui para ler a segunda parte da história)

Nota: 1) Se vc gostou, ou não, do que leu deixe o seu comentário.
Nota: 2) Se vc conhece alguma história relacionada a esse tema, envie para contato@srcoelho.com.br e ela será publicada nesta categoria.


Responses

  1. Nossa sr Coelho fiquei até arrepiada com essa história.

  2. Olocooooooo quero ver o resto logo

  3. Impressionante Sr Coelho !!!!

    Acho que isso dará um lindo livro quando terminar a história !!!!

    A narrativa deixa-nos presos à história, aguardo a continuidade…

    Parabéns !!!!

  4. Aguardando a continuidade..rsss


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